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Pedra na Vesícula Biliar - Orientações gerais.


Quem pode ter pedra (cálculo) na vesícula?
Pedra ou cálculo da vesícula é uma doença bastante comum. Cerca de 10% das pessoas tem pedra (cálculo) na vesícula. Mais de 10 milhões de brasileiros têm esse problema. Qualquer pessoa pode ter pedras na vesícula, mas algumas têm maior possibilidade, como: 
  • Idade. Apesar desta doença poder acometer até crianças, ela aumenta com a idade e é mais comum nos adultos e idosos. 
  • Mulher. As pedras da vesícula são mais comuns nas mulheres do que nos homens, principalmente nas que já ficaram grávidas. 
  • Obesidade. Quanto mais gordo, maior a possibilidade de ter pedra na vesícula. Entretanto, os magros também podem ter cálculos. 
  • Hereditariedade. As pessoas que têm familiares com cálculos possuem mais chance de ter esta doença do que os que não têm.

Como a pedra (cálculo) é formada na vesícula?
A bile é produzida no fígado e é eliminada no intestino. A bile ajuda na digestão de alimentos gordurosos. Ela contém várias substâncias, entre as quais colesterol e pigmentos. Quando algumas dessas substâncias aumentam em quantidade na bile, elas podem se depositar na vesícula. Com o passar dos meses e anos, estes depósitos se unem e formam pedras (cálculos).


Figura mostrando que a bile é produzida no fígado e transportada para o intestino (duodeno) através de canais biliares. A vesícula tem uma função simples no organismo: de armazenar a bile; ela não produz bile


Outros locais do organismo, como o rim, a bexiga e o canal da saliva e o da lágrima também podem formar pedras (cálculos). Mas, as pedras desses locais são diferentes das pedras da vesícula.

Como são as pedras (cálculos)?
O número, tamanho, forma e cor das pedras da vesícula são bastante variáveis. Algumas pessoas só têm uma pedra, enquanto outras têm mais de 1.000. Da mesma forma, as pedras podem variar de tamanho de 1 mm (grão de areia) até 10 ou 15 cm.



Fotografia mostrando pedras (cálculos) da vesícula biliar de vários tamanhos, forma e cor

Sintomas e complicações causados pela pedra na vesícula
A pedra na vesícula pode ocasionar sintomas intensos e graves, sendo os mais comuns: 
  • Dor intensa no abdômen (barriga) - no lado direito ou na boca do estômago. Esta dor geralmente dura de 30 minutos a 2 horas, mas quando for mais prolongada pode indicar que está ocorrendo uma complicação. Neste caso, procure o seu médico com urgência 
  • Náuseas (enjoo) e vômitos 
  • Inflamação ou infecção da vesícula 
  • Icterícia (amarelão) 
  • Pancreatite aguda 
A maioria dos pacientes que tem pedra na vesícula nunca teve sintomas. Não existem dados médicos que permitam determinar quais pacientes terão sintomas. Entretanto, quando o paciente apresenta um dos sintomas acima citados, a possibilidade de repetir o mesmo sintoma ou apresentar uma complicação é muito grande. Assim, nesta situação é importante procurar o seu médico. 

A possibilidade de uma pessoa apresentar sintomas ou complicações independe do número ou tamanho das pedras. Às vezes, apenas uma pedra pequena pode ocasionar complicações muito graves, como pancreatite aguda.


Diagnóstico
O melhor método para diagnosticar pedra na vesícula é a ultra-sonografia ou ecografia do abdômen. 


Tratamento
A única forma de tratamento da pedra ou cálculo da vesícula é a retirada da vesícula biliar (colecistectomia). Outros tratamentos, como litotripsia ("quebrar a pedra" com aparelhos especiais) e medicamentos para dissolver a pedra, não dão bons resultados e não devem ser usados, pois só atrasam o tratamento correto.

Atualmente o tratamento da pedra da vesícula é muito simples, desde que o paciente não apresente complicações. A retirada da vesícula pode ser facilmente realizada por via laparoscópica na maioria dos pacientes ("operação dos furinhos"). Inicialmente, é injetado gás (gás carbônico) dentro do abdômen (barriga) para criar um espaço, onde o cirurgião poderá fazer a operação com segurança. Após a realização de 3 ou 4 furinhos de meio a um centímetro, uma câmera de televisão pequena é colocada dentro do abdômen através de um dos furinhos para que o cirurgião e a sua equipe possam visualizar todo abdômen em uma televisão. Os instrumentos (pinças, tesouras, material de sutura, etc) são colocados através dos outros furinhos para ajudar a retirar a vesícula.




A operação é realizada por via laparoscópica ou também conhecida como "operação dos furinhos", sem a necessidade de fazer um corte grande no abdômen (barriga)


Todos pacientes que têm pedra na vesícula precisam operar?
A maioria dos pacientes que tem pedra na vesícula não precisa de tratamento. Os que já apresentaram sintomas devem ser operados, porque a possibilidade de apresentarem outros sintomas ou complicações é muito elevada.

O seu médico poderá ajudá-lo a decidir se a operação é a melhor opção para você. Esta decisão deve ser tomada após considerar alguns dados, tais como: sua idade, seus sintomas, há quanto tempo você tem a pedra e se você tem outras doenças que podem aumentar o risco da operação ou de ter crises de vesícula.



Figura mostrando a operação de retirada da vesícula biliar

Após a retirada da vesícula, vou ter alguma restrição na minha alimentação?
Você não precisará modificar a sua dieta após a operação, porque a vesícula tem uma função muito pouco importante no organismo, que é a de armazenar bile. A vesícula não produz bile, apenas ajuda no seu armazenamento. A produção da bile pelo fígado continua normal após a retirada da vesícula. Não existe nenhuma seqüela ou conseqüência para o organismo após a retirada da vesícula.


Vantagens do Tratamento Cirúrgico
São várias as vantagens da operação: 
  • Recuperação rápida do paciente. A maioria dos pacientes fica internada no hospital somente 1 dia e pode retornar ao trabalho e realizar todas atividades, inclusive esportivas, em 1 ou 2 semanas. 
  • Resolução completa e definitiva da doença. 
  • Pouca dor pós-operatória. 
  • Cicatriz cirúrgica mínima, porque são realizados somente 4 furinhos. 
  • Risco de infecção pequeno. 
Apesar dos resultados do tratamento cirúrgico serem excelentes, alguns pacientes podem ter complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico. As complicações mais comuns são lesão de vísceras, infecção, sangramento e risco anestésico. Caso não seja possível realizar a operação pela técnica videolaparoscópica ("técnica dos furinhos"), pode ser necessário fazer uma incisão (corte) maior no seu abdômen para terminar a operação. Os riscos da operação são mais comuns nos pacientes que apresentam doença grave ou complicações, como inflamação da vesícula, icterícia, pancreatite aguda, no momento da operação. Nestas situações, a operação é geralmente mais difícil de ser realizada e deve ser realizada de emergência.


Orientações Pós-Operatórias
A recuperação da operação é geralmente muito rápida e a maioria dos pacientes voltam as suas atividades normais em poucos dias. As orientações abaixo devem ser seguidas para que você tenha pouco desconforto e sua recuperação ocorra sem intercorrências.

1. Orientação nutricional pós-operatória. O exemplo de cardápio é sugerido para ser adotado durante 7 dias no período pós-operatório. O retorno a sua dieta normal, deverá ser gradativa até sua completa alta cirúrgica.


DIETA PASTOSA FRACIONADA
Fracionar em 6 refeições durante o dia, não utilizando condimentos, frituras, vegetais crus, frutas ácidas, cereais integrais, chocolate, café preto puro, e chá preto e bebidas com gás. 

1. Ao chegar em casa, alimentar-se apenas com líquidos, preferencialmente aquecidos. Por exemplo: canja de galinha, com arroz e batatas, ou verduras cozidas. 

2. Desjejum matinal: Leite, café, açúcar ou adoçante, pão branco sem casca, margarina, geléia e frutas como banana madura, melão ou mamão. 

3. Merenda da Manhã: Frutas, gelatina ou iogurte. 

4. Almoço: Arroz, frango sem pele, peixe grelhado ou ensopado, legumes cozidos e caldo de feijão, sobremesa: pudins, gelatina e frutas. 

5. Merenda da tarde: Café com leite, bolacha maria, iogurte, gelatina ou frutas. 

6. Jantar: Igual ao almoço ou desjejum

2. Dor no ombro é freqüente após este tipo de operação. Esta dor é conseqüente à irritação de um nervo que fica entre o abdômen e o tórax. Ela não é devida à torção ou mau jeito no ombro. A dor no ombro geralmente desaparece em poucas horas ou dias. Se ela for intensa, tome o analgésico (remédio para dor) prescrito pelo seu médico. 

3. Os cortes (furinhos) serão fechados com pontos e cobertos com curativo (micropore). É comum que ocorra hematoma ("azulado" ou "roxo") ou pequenos sangramentos. Isto é normal. Não se preocupe. Não retire o micropore, a menos que o seu médico o oriente neste sentido. 
Pode tomar banho completo e molhar o micropore. Seque o abdômen normalmente com toalha, sem necessidade de cuidados especiais com os cortes. Entretanto, se o corte tiver aparência de infecção (vermelho, com secreção de pus ou com cheiro forte), contacte o seu médico.


4. Respire fundo 3 vezes a cada hora para expandir melhor o seu pulmão e evitar complicações, como febre e pneumonia.

5. Evite ficar muito tempo deitado ou sentado. Procure andar várias vezes ao dia.

6. Em caso de dúvidas procure o seu médico.

Retratação da Internet
Em casos de doença séria ou emergência médica procure assistência imediatamente. As informações fornecidas nestewebsite, tem por objetivo, apenas fornecer informações gerais para leitura. Ele NÃO substitue o exame, diagnóstico e atendimento médico provido por um profissional qualificado. Nenhum conteúdo deste site pode ser utilizado para diagnóstico ou tratamento de um problema de saúde.
Para considerações médicas, incluindo decisões sobre medicações e outros tratamentos, você deve realizar uma consulta com o profissional de saúde qualificado. As informações de saúde ou qualquer resposta interativa originária deste site não podem ser interpretadas como informações de um profissional médico. Você deve buscar dados em outros sites, principalmente os veinculados a sociedades e entidades médicas para confirmar as informações que disponilizamos neste site.
Se você desconfia que está com qualquer problema de saúde, por favor entre em contato com um médico ou hospital, imediatamente, para correta avaliação.
 
Fonte: Dr. Nemer Hajar -  CRM-Pr 11.286


Pólipo de Vesícula Biliar o que fazer ? Consenso do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Pólipo de Vesícula Biliar
Alguns estudos apontam para uma associação entre polipose de vesícula biliar e leucodistrofia metacromática. Esta se caracteriza pelo depósito de material metacromático resultante da quebra de mielina no sistema nervoso central e periférico. As manifestações clínicas estão relacionadas com a degeneração da substância branca encefálica. Como a polipose biliar é um fenômeno raro na infância, a leucodistrofia metacromática deve ser excluída nessa ocasião. A polipose vesicular é encontrada dez vezes mais em pacientes com retocolite ulcerativa. Na doença de Peutz-Jeghers também podem ocorrer hematomas intravesiculares. Em dislipidemais, como na doença de Gaucher, podem ser encontrados pólipos de gordura dentro da vesícula. Estudos mostraram não haver associação entre lesões polipoides de vesícula biliar (LPVB) e sexo, índice de massa corporal e diabetes melito, considerados fatores de risco para litíase biliar. Também não há associação com gestações e uso de anticoncepcionais orais. Os fatores de risco para colelitíase (obesidade, gravidez, anticoncepcionais, etc.) não parecem estar relacionados com LPVB. Há dúvidas quanto a uma possível associação entre pólipos e carcinoma da vesícula. Os adenomas, que representam 4% das lesões polipoides, podem ser os precursores do carcinoma de vesícula, ainda que alguns autores acreditem que a maioria dos carcinomas se desenvolva a partir de um epitélio plano displásico, em termo estimado de 15 anos entre displasia e câncer avançado.

Existe pólipo sintomático?
As LPVB são assintomáticas, salvo casos excepcionais. Durante investigação de quadros dispépticos, o eventual achado de lesão polipoide na vesícula biliar geralmente não explica a origem das queixas do paciente. A maioria dos sintomas pode ser atribuída a afecções concomitantes, como cálculos de vesícula (presentes em 15% dos casos com lesão polipoide), úlcera péptica ou refluxo gastroesofágico. Algumas lesões polipóides maiores ou localizadas próximo ao ducto cístico podem obstruir o trânsito colecistocoledociano, produzindo quadros de cólica biliar ou colecistite aguda. Ocasionalmente, um pólipo de colesterol pediculado pode desprender-se da parede vesicular e obstruir o cístico ou a via biliar extra-hepática distal. 

Na presença de lesão polipoide recomenda-se outro(s) exame(s) além da ultra-sonografia? Qual(is)? É possível diferenciar a lesão benigna da maligna antes da cirurgia?
A ultra-sonografia apresenta acurácia diagnóstica superior ao de outros exames. A sensibilidade e a especificidade da ultra-sonografia na detecção de LPVB estão em torno de 90%. A tomografia computadorizada apresenta sensibilidade aproximada de 70%. A maioria da LPVB são pólipos de colesterol, dos quais cerca de 90% têm menos de dez milímetros de diâmetro. A apresentação mais comum dessas lesões é de uma imagem pequena, arredondada, ecogênica e sem sombra acústica. Apresentam um pedículo estreito e frágil que pode, muitas vezes, não ser identificado na ultra-sonografia. Lesões polipóides sésseis e espessamento da parede vesicular aumentam a suspeita de câncer, exigindo a realização de tomografia computadorizada e, se disponível, ultra-sonografia endoscópica. Em geral, padrões hipoecogênicos são considerados atípicos para pólipos de colesterol e são sugestivos de malignidade. A prevalência de neoplasias malignas é alta em LPVB com diâmetro superior a 10 mm. Assim, é indispensável o diagnóstico diferencial nessas ocasiões. A presença de imagem ecogênicas parcialmente agregada em lesões polipoides indica um pólipo de colesterol, mesmo que a lesão apresente áreas hipoecogênicas. A ultra-sonografia endoscópica é mais sensível para detectar este padrão de agregação, o qual é um sinal altamente sugestivo de pólipo de colesterol. Estudos sugerem que as LPVB com diâmetro acima de cinco mm, ou aquelas com padrão ecogênico, devem ser examinadas pela ultra-sonografia endoscópica. Quando este exame evidenciar a presença de agregação com imagens ecogênicas, pelo menos parcial, o diagnóstico é considerado pólipo de colesterol. A presença de microcistos múltiplos intramurais indica adenomiomatose. O diagnóstico de adenocarcinoma deve ser considerado em lesões sésseis com mais de 10 mm de diâmetro e ecogenicidade heterogênea. Não obstante os relatos de estudos citológicos de aspirado de LPVB obtidos por punção guiada por ultra-sonografia, os membros do consenso não recomendam este procedimento. Uma precisa distinção pré-operatória entre lesão benigna e maligna não é possível com os atuais métodos utilizados na investigação das LPVB.

Além do tamanho da lesão polipoide, que outros fatores influem na conduta? 
O tamanho, o aspecto e o número de lesões, a presença de cálculos e a idade dos pacientes correlacionam-se com a natureza benigna ou maligna das LPVB e auxiliam na fundamentação da conduta a ser adotada. Assim, características como diâmetro da lesão maior que 10 mm, base de implantação com mais de cinco mm, crescimento rápido, espessamento da parede vesicular, colelitíase e idade superior a 50 anos reforçam a indicação cirúrgica, visto que nesses casos o risco de carcinoma é maior. 

Colecistectomia laparotômica ou laparoscópica?
A colecistectomia laparotômica está indicada nos pacientes com suspeita elevada de neoplasia vesicular maligna, independente da presença ou não de cálculos. São considerados fatores de risco para neoplasia maligna: lesão polipoide maior que 10 mm, aspecto séssil, crescimento rápido, espessamento de parede vesicular e idade superior a 50 anos. Em presença de fatores de risco a indicação da laparotomia independe do tamanho da lesão polipoide. A cirurgia laparoscópica fica reservada para LPVB menores que 10 mm, associadas à colelitíase e sem os fatores de risco mencionados. 

Conclusão
As LPVB não acompanhadas de cálculos, com menos de 10 mm e sem fatores de risco para câncer devem ser acompanhadas eco graficamente a cada seis meses nos primeiros dezoito meses. Na ausência de crescimento da lesão após esse período, o controle ecográfico passa a ser feito anualmente. Nas lesões com menos de 10 mm, sem fatores de risco para câncer, mas acompanhadas de cálculos está indicada a colecistectomia laparoscópica, adotando-se precauções para que a vesícula não sofra perfurações e seja retirada da cavidade abdominal envolta por saco protetor. A colecistectomia laparotômica será empregada na impossibilidade da abordagem laparoscópica. Nas lesões com menos de 10 mm, com fator de risco, está indicada a colecistectomia laparotômica. Nas lesões com mais de 10 mm está indicada a colecistectomia laparotômica, independente da presença ou não de cálculos ou de fatores de risco para câncer. A incessante incorporação de novos conhecimentos acerca da evolução natural das LPVB e os avanços nos métodos diagnósticos e terapêuticos levará, no futuro, ao aprimoramento da conduta presentemente recomendada.
Fonte: Colégio Brasileiro de Cirurgiões
Atenção! As informações desse site visam apenas ajudar na compreensão dos temas, não deve ser usado como guia para diagnóstico e tratamento nem substituir uma visita ao médico.

Pancreatite Aguda


O que é?
O pâncreas é um órgão situado no abdome superior e é responsável pela produção de sucos digestivos e alguns hormônios, como a insulina. Em geral, com os cuidados médicos adequados, um episódio de pancreatite aguda não leva a complicações mais sérias, mas em alguns casos os indivíduos podem necessitar de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Patogenia (Como acontece?)
Os principais responsáveis pelos episódios de pancreatite aguda são:

  • Presença de “pedras” na vesícula ou nos ductos biliares 
  • O uso abusivo do álcool (nesses casos, a doença já pode ser crônica) 
  • Elevações exageradas de triglicérides (gordura do sangue) podem ser um fator de risco importante. O uso de alguns medicamentos, a realização de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), um tipo especial de endoscopia, níveis elevados de cálcio no sangue, presença de alguma doença auto-imune, fatores genéticos e algumas infecções podem ter papel determinante em sua ocorrência. Em cerca de 20% dos casos a causa não pode ser determinada, o que parece aumentar o risco de recorrências.
Sinais e sintomas (O que se sente?)
Dor abdominal é a queixa mais freqüente. Pode durar dias. A dor pode ser sentida também nas costas e curvar o tronco pode trazer certo alívio. A distensão abdominal junto com a dor também é um sintoma freqüente. A dor é intensa e se irradia em faixa, no abdome superior. No entanto, há casos em que a pessoa não refere dores abdominais. Outros sintomas como enjôo, vômitos, palpitações, falta de ar ou dificuldade para respirar, febre e pele amarelada podem aparecer.
Se a pancreatite aguda for secundária a presença de pedras, a dor costuma ser persistente, durando de 6 a 8 horas, sendo desencadeada após alimentação. A dor vai aumentando de intensidade e pode vir acompanhada de enjôo e vômito.
No caso da pancreatite aguda alcoólica, os sintomas se iniciam de 1 a 3 dias após ingestão abusiva de álcool ou mesmo sem beber. Quase sempre, as dores são acompanhadas por enjôo e vômito.

Evolução
Em uma pequena porcentagem dos casos, poderá haver uma evolução para uma condição mais séria, também chamada pancreatite necrotizante, com morte de tecido pancreático. Nesses casos, a inflamação pode se estender à distância e envolver outros órgãos, como pulmões, pleura, pericárdio e rins. Pode também haver formação de ascite (“barriga d’agua”) pelo extravasamento do líquido do pâncreas dentro do abdome e pela inflamação. Nessas condições, o intestino não funciona direito e a pessoa sofre parada dos movimentos intestinais. O sangramento digestivo é uma complicação rara.

Diagnóstico (Como seu médico irá diagnosticar?)
O diagnóstico é feito com base na história clínica, exame físico do paciente, dados laboratoriais e de imagem.
Buscando descobrir qual a causa base que desencadeou a doença, questionamentos sobre história de “pedras” na vesícula e uso persistente de álcool deverão ser feitos pelo médico.
Níveis elevados de ambas as enzimas pancreáticas (amilase e lipase), cerca de 3x o valor normal, acabam fechando diagnóstico na ausência de falha dos rins.
Os exames de imagem trazem informações sobre a estrutura, a presença de pedras na vesícula e dos órgãos em volta do pâncreas. Uma ultrassonografia deve ser realizada em busca das pedras, mas esse exame não é capaz de identificar complicações. Exames de raios-x de tórax e abdome podem apresentar achados sugestivos de pancreatite aguda.
O melhor exame para diagnosticar pancreatite aguda á tomografia computadorizada (TC). Esse exame costuma ser realizado quando há outras suspeitas diagnósticas, quando não há resposta ao tratamento sintomático ou quando há suspeita de pancreatite necrotizante.
A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, endoscopia especial do pâncreas e das vias biliares, apesar de ser uma potencial causa de pancreatite aguda, pode ser importante na determinação da causa em situações de recorrência, principalmente em pacientes com problemas das vias biliares. Pode ser usada também no tratamento de algumas condições, como na remoção de pedras impactadas nas vias biliares.

Tratamento
O objetivo do tratamento é diminuir a inflamação do pâncreas e retirar a causa que desencadeou a crise.
Nos casos mais leves, o tratamento se baseia no alívio da dor, reposição de fluidos com soro, suspensão da alimentação oral e monitoramento constante. Nas complicações, deve-se associar terapia com antibióticos e retirada do tecido pancreático necrosado.

Prevenção Para evitar novos episódios, o indivíduo deve parar de beber. É indicado também que o cigarro seja abolido.
Nos casos da pancreatite aguda secundária a pedras é indicada a realização de cirurgia para retirada da vesícula.
Nos outros casos, a prevenção de novos episódios é específica, por exemplo, controlando os níveis de triglicérides no sangue, excluindo outros fatores precipitantes como medicamentos ou fazer corticoterapia.

Dúvidas frequentes - Tenho pedra na vesícula mas nunca senti nada. Devo retirar a vesícula?
Não há sustentação na literatura médica para indicar a retirada da vesícula em pessoas sem sintomas. Excetuam-se casos em que há risco de câncer de vias biliares ou história de complicações (como a pancreatite aguda) por exemplo. O melhor é conversar com seu médico sobre os possíveis benefícios dessa cirurgia.


- Quem teve pancreatite aguda pode voltar a beber?
O paciente com história de pancreatite aguda não poderá voltar a beber, diminuindo de forma importante a chance de seu quadro se repetir. Além disso, diminuirá as chances de aparecimento de outras doenças associadas ao álcool
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Autores: Reinaldo Benevides dos Santos, Dr. Jorge Carvalho Guedes


Atenção! As informações desse site visam apenas ajudar na compreensão dos temas, não deve ser usado como guia para diagnóstico e tratamento nem substituir uma visita ao médico.

Para que serve a Vesícula Biliar e como se formam as Pedras na Vesícula?

Vamos entender primeiro “o que é a Vesícula Biliar”. A vesícula é uma espécie de saco membranoso, que funciona como reservatório para a Bile no intervalo entre nossas refeições. A bile (ou bílis) é uma espécie de detergente natural do nosso corpo que o fígado produz para quebrar as moléculas de gordura e assim facilitar nossa digestão. Quando não estamos digerindo nada, o fígado se ocupa na produção desta substância que é levada para a nossa vesícula biliar através de ductos biliares.

A nossa vesícula, tem função apenas de armazenagem da bile. O fígado produz e vai “concentrando” na vesícula para o momento em que comermos algo, ela seja injetada no nosso intestino delgado para ajudar na digestão do alimento. Pois bem, essa bile possui principalmente bilirrubina (pigmento derivada da destruição dos glóbulos vermelhos do sangue efetuada no baço e que acaba indo para os canais biliares através da circulação), também temos os sais biliares (produzidos pelo fígado e ajudam na digestão) e ainda o colesterol que é eliminado pelo fígado através da produção de bile. Os cálculos biliares, ou as pedras na vesícula, são resultado de um desequilíbrio na precipitação e formação destes componentes.

Os cálculos (ou pedras) são chamados pelos médicos de “Litíase Biliar”. Elas são formadas principalmente por cálcio e colesterol e são realmente como pedrinhas que podem causar inflamação na vesícula, resultando dores muito fortes. Bom, o tratamento para esta “vesícula doente” habitualmente é cirúrgico. Ocorre a retirada da vesícula, e geralmente este procedimento não ocasiona nenhum problema ao paciente. No entanto, é recomendado que evite a ingestão de comidas gordurosas, pois a bile continua sendo produzida, porém o reservatório que a concentra foi retirado!

A vesícula é o reservatório da bile!
A vesícula é o reservatório da bile!
O tratamento mais comum para a litíase biliar é a intervenção cirurgica por laparoscopia!
O tratamento mais comum para a litíase biliar é a intervenção cirurgica por 

Pedras na Vesícula Biliar: Como Aparecem e Tratamento

Dieta rica em gorduras contribui para o aparecimento desse problema
Você já ouviu falar em colelitíase? Na realidade, esse é o nome dado ao diagnóstico de pedras na vesícula biliar – uma espécie de “bolsa” que armazena a bile, antes desse líquido atuar no processo digestivo dos alimentos, principalmente das gorduras, realizado pelo intestino.
Existem vários fatores relacionados ao risco de apresentar pedras na vesícula, como a idade (a freqüência aumenta com o processo de envelhecimento), gravidez, obesidade, sexo (mais freqüente em mulheres), terapia de reposição hormonal e níveis altos de triglicérides no sangue.
Uma pessoa pode ter pedra na vesícula biliar e não saber, pois não apresenta quaisquer sintomas. A “descoberta” do problema acontece, normalmente, durante exames de rotina. “A cólica biliar, um tipo de dor constante, que se localiza na região superior direita do abdome, é o sintoma mais freqüente das pessoas que apresentam pedra na vesícula. Essa dor é, quase sempre, acompanhada de náuseas”, explica Dr. Vladimir Schraibman, especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e único orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System). O especialista esclarece, nessa entrevista, várias questões sobre essa doença.

Qual é a função da vesícula em nosso organismo? Qual é o seu tamanho e localização?
A função da vesícula biliar é armazenar bile para ajudar na digestão de gorduras. Possui tamanho aproximado de oito cm, como se fosse um pequeno figo, localizada na borda inferior do fígado, do lado direito do abdome. Existem vários tipos de cálculos (pedras), mas os dois principais são os de colesterol e os pigmentados.

O que são os cálculos de colesterol?

São cálculos compostos por colesterol, geralmente mais prevalentes em populações com alto grau de ingestão de gorduras de origem animal (carne vermelha, leite e seus derivados, além de frituras e gordurosos em geral, como os embutidos).
 
O que são os cálculos pigmentados?

Cálculos pigmentados são cálculos oriundos de sais biliares, outra substância presente na composição da bile e que, quando em concentração inadequada, pode gerar a precipitação e formação de cálculos biliares.

Por que a tendência de apresentar pedra na vesícula aumenta com a idade?
Na verdade muitas pessoas são portadoras de cálculos biliares, contudo não apresentam qualquer tipo de sintoma, sendo diagnosticada a "pedra" na maioria das vezes de modo incidental, nos exames de rotina (os tais "check-ups"), como tomografia e ultrassom do abdome. É preciso tomar cuidado para que o quadro não evolua, para um quadro agudo de inflamação da vesícula (colecistite aguda), quando um cálculo obstrui a saída da bile; colangite, que corresponde a uma infecção grave dos canais que levam a bile para o intestino; e até mesmo uma gangrena da vesícula.       
 
Como a obesidade afeta o aparecimento dessa doença?
O indivíduo que apresenta obesidade possui, geralmente, uma dieta rica em gordura animal, o que acaba contribuindo para a formação de cálculos biliares.

A cirurgia laparoscópica é sempre o melhor tratamento, seja para pacientes sintomáticos (que já sentem dores) ou assintomáticos?A cirurgia laparoscópica para remoção da vesícula é, hoje em dia, o melhor tratamento visto que é muito segura e possui baixíssimos índices de complicações. Atualmente, podemos associar à técnica do single port, ou seja, a retirada da vesícula com apenas uma incisão de cerca de 2,5 cm e alta hospitalar no mesmo dia da cirurgia, com ótimos resultados.

O fato de se retirar a vesícula não afeta o funcionamento do fígado ou do intestino?Não afeta de modo algum. Evolutivamente, o homem não necessita hoje em dia da vesícula, pois se alimenta várias vezes ao dia o que torna a vesícula um órgão sub-utilizado, já que não há a necessidade de se armazenar tanta bile. Alguns pacientes, contudo, ao retirar a vesícula podem apresentar um aumento no número de evacuações no primeiro mês.

Qual seria a forma de prevenir o aparecimento dessa doença?
A melhor maneira de se prevenir é ter uma dieta com baixo teor de gordura e alto teor de fibras, diminuindo a chance de se formar os cálculos.


Fonte: Dr. Vladimir Schraibman (Cirurgia Geral e Gastrocirurgia)

Solução para retirada da Vesícula Biliar - Single Port

Single Port
Cirurgia Laparoscópica por Único Portal para Remoção da Vesícula Biliar É uma cirurgia avançada, minimamente invasiva, na qual o cirurgião opera usando exclusivamente um único portal. A introdução de instrumentos para acessar os órgãos intra-abdominais que precisam ser operados é feita por uma única e pequena entrada no abdome.

A presença dos cálculos biliares, dentro da vesícula, pode causar dores, cólicas intensas, inflamação, e até cirurgias de urgência por infecções associadas ou pancreatite.

Tradicionalmente, desde 1989 até os tempos atuais, a retirada da vesícula por via laparoscópica é realizada com 4 orifícios no abdome . Dois de 5 mm e 2 de 10 mm.
Na Cirurgia Laparoscópica de Único Portal os instrumentos serão colocados por um orifício de 2,5 cm realizado sob a cicatriz umbilical. Este acesso umbilical único traz algumas vantagens importantes como menos desconforto pós-operatório, tempo de recuperação mais rápido e resultado cosmético melhor. A cicatriz umbilical natural esconde orifício realizado para a cirurgia.

Esta evolução ocorreu pela combinação da habilidade cirúrgica desenvolvida nas técnicas videolaparoscópicas e a alta tecnologia dos modernos instrumentos flexíveis.

Este é mais uma evolução na área das cirurgias minimamente invasivas que tem como objetivo obter mínima agressão cirúrgica, gerando conforto, excelente resultado estético e rápido retorno às atividades normais.

População alvo: pacientes com diagnóstico de cálculos (pedras) na vesícula biliar; o diagnóstico é feito por ecografia de abdome.
1) o paciente sente dores abdominais devido aos cálculos e procura seu médico (consultórios ou emergências) que solicita uma ecografia e o diagnóstico é feito; o médico clínico encaminha ao cirurgião.
2) O paciente sabe ser portador de cálculos na vesícula biliar, mas não tem sintomas importantes. Informando-se sobre a necessidade de procurar solução, ele próprio procura atendimento de um cirurgião do aparelho digestivo.

Fonte: 

Dores fortes no abdômen podem indicar cálculo biliar

Quando existe um cálculo biliar (um "ataque da vesícula"), a dor pode ser muito forte e dura alguns segundos ou minutos, e repetem com freqüência durante horas ou dias. Calafrios e febre podem acompanhar o ataque. Os sintomas, geralmente, ocorrem após a pessoa ter comido alimentos fritos ou gordurosos.
Cálculos biliares podem se formar na vesícula biliar ou (mais raramente) nos dutos biliares do fígado. Eles podem se formar na vesícula como resultado de infecção ou inflamação da parede do órgão.
Ocorrem com mais frequência em mulheres do que homens, principalmente em mulheres que ficaram grávidas mais de uma vez. Também ocorrem em mulheres obesas, com mais intensidade após os 40 anos. Nos Estados Unidos, cerca de 10 a 20% da população tem cálculos biliares.
Pessoas com diabetes, enxaquecas, câncer da vesícula biliar, cirrose e pancreatite são mais susceptíveis de ter cálculos biliares.
Cálculos são formados a partir da bile, um fluído marrom produzido pelo fígado. Colesterol (uma proteína do sangue) se combina com a bílis para formar pedras. Mas eles não se parecem com "pedras" comuns. Considerando que pedras nos rins são nítidas e cristalinas, cálculos biliares são lisos, macios e gelatinosos. Parece com uma densa gordura. Muitas vezes, pessoas com cálculo biliar não têm sintomas.
Mas, quando o bloco sai do fígado ou vesícula biliar, produz náuseas, vômitos e dor, como descrito acima.
Tratamentos
• Para aliviar a dor, faça uma fomentação quente durante 15 minutos na área da vesícula biliar, seguido por uma fricção com gelo. Repita este processo 3 vezes. Isto irá reduzir o inchaço, a inflamação e a dor.
• Se você puder evitar, não opere sua vesícula biliar. O que geralmente é feito é a retirada da sua vesícula biliar, e você realmente precisa dela.
• Estudos recentes da Universidade de Pittsburg descobriram que remover a vesícula biliar (colecistectomia) dobrou o risco de cancro do cólon.
Prevenção
É um fato interessante que as pessoas que não comem carne, lacticínios ou ovos, raramente têm ataques da vesícula. É a gordura animal que tende a formá-los.
Beber água ajuda a prevenir a formação do cálculo biliar. Foi descoberto que as pessoas com cálculos biliares bebem pouca água.
Beber um copo de água faz com que a vesícula biliar se esvazie cerca de 10 a 20 minutos depois. Esta é uma forma a manter a vesícula biliar limpa e em bom estado, isto é, se você não comer qualquer gorduras de origem animal.
A falta de exercício físico aumenta a probabilidade de formação de cálculos biliares. Com o exercício, o colesterol é excretado mais rapidamente pelo fígado e bexiga. A verdade é que tudo funciona melhor quando você se exercita regularmente.
• Não coma demasiadamente. Isto é muito importante.
• Não coma alimentos processados, fritos, açúcar, pimenta, ou lanches rápidos (junk foods).
• Não use álcool, cafeína ou tabaco.
• Mantenha o seu peso baixo. Mulheres com sobrepeso com mais de 40 anos que tiveram filhos foram as que mais tiveram cálculos biliares.
• Contraceptivos orais (e outros medicamentos contendo estrogênios) aumentam a saturação do colesterol biliar.
• Comer ovos aumenta a probabilidade de formação de pedra. Uma dieta pobre em vitamina C também faz isso.
• Comer muito carboidrato refinado aumenta a formação de pedra. A não inclusão de suficiente fibra na dieta também.
• Tomar 2 colheres de mesa de lecitina a cada dia resulta em um concentração aumentada de fosfolipídio na bílis. Isto ajuda a reduzir e dispersar cálculos biliares.
• Proteína animal na dieta aumenta a formação de pedra; proteína vegetal tende a reduzir o tamanho das pedras.
Fonte: Parana Online

Cirurgia Videolaparoscopica - Videocirurgia - "Cirurgia a Laser"


Cirurgia realizada na cavidade abdominal, através de pequenas incisões, utilizando instrumental cirúrgico especial e um conjunto de equipamentos constituído de ótica laparoscópica, microcâmera, processadora de imagem,
fonte de luz, monitor, e insuflador de gás.

Realiza-se pequenas incisões (0,5 e 1 cm) ou até mini incisões (0,2 e 0,3 cm) na pele por onde serão introduzidos os trocartes. Trocarte é um dispositivo cilíndrico que permite a entrada e saída dos instrumentais laparoscópicos especiais (como tesouras, pinças, clipadores, etc.) além da ótica laparoscópica.

Uma fonte de luz é conectada à ótica. Portanto, a ótica laparoscópica, além de captar imagens e enviá-las à microcâmera, tem a função de iluminar a cavidade abdominal, pois suas fibras óticas transmitem a luminosidade proveniente da fonte de luz externa.

A imagem recebida pela microcâmera é processada para poder ser reproduzida em um monitor ou uma TV.

Assim, para se ter uma boa visualização das vísceras abdominais vários fatores são importantes, dentre eles citamos:
A) câmera com boa resolução de imagem;
B) iluminação adequada da cavidade, que depende da fonte de luz e do cabo que conecta à ótica;
C) criação de um espaço adequado na cavidade
abdominal que é conseguido pela insuflação de um gás (normalmente o CO2), cuja pressão é regulada por um insuflador eletrônico. Neste item é importante o relaxamento adequado do paciente promovido pelo anestesista.

O gás insuflado no abdome é quase que totalmente removido ao término do procedimento, e uma pequena quantidade residual que permanece é rapidamente
absorvida pelo organismo, sendo eliminada na respiração.

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO

A primeira cirurgia videolaparoscópica realizada no Brasil, foi em São Paulo, em 1990. A cirurgia foi uma colecistectomia (retirada da vesícula biliar com cálculos). Desde o início da cirurgia videolaparoscópica até os dias de hoje, muitos avanços ocorreram. Criou-se novos instrumentais, câmaras de alta resolução com imagem tridimensional, fontes de luz mais
eficientes, insufladores eletrônicos modernos e com aquecimento do gás insuflado.

Além disso, atualmente já é possível realizar cirurgia à distância com auxílio de robôs. O cirurgião, podendo estar distante do paciente ou na mesma sala cirúrgica, faz a cirurgia sentado confortavelmente em cadeira especial. Olhando a imagem da cirurgia numa tela, o cirurgião movimenta os "braços" do computador, que comanda um robô. A transmissão destes comandos ao robô pode ocorrer diretamente via cabo e até mesmo via satélite. O robô,
recebendo as informações do computador, realiza a cirurgia reproduzindo os movimentos do cirurgião. Um outro robô segura a ótica. Ele é responsável pelos movimentos da ótica e obedece o comando verbal do cirurgião. O cirurgião pode solicitar movimentos diversos da ótica, como por exemplo
dizendo: aproxime um pouco; afaste; movimente para a direita, e o robô que é previamente programado, faz conforme solicitado. O uso de robôs tem sido muito útil em cirurgias prolongadas ou quando a posição do cirurgião é
desconfortável.

ERRO: CIRURGIA A LASER

É comum nos dias atuais dizer cirurgia laparoscópica, videocirurgia ou cirurgia por vídeo como sinônimos de cirurgia videolaparoscópica.
Popularmente, é erroneamente chamada de Cirurgia à Laser. O Laser é um recurso que pode ser utilizado em diversas áreas médicas, assim também como na cirurgia laparoscópica.

VANTAGENS
As Vantagens da Cirurgia Videolaparoscópica são decorrentes de uma menor agressão ao paciente com melhor visualização das estruturas. Dentre as VANTAGENS incluímos:

Rápida recuperação, ou seja, breve retorno ao trabalho ou atividades esportivas.

Menor dor pós operatória, com diminuição ou eliminação da necessidade de analgésicos.

Menor risco de infecção, diminuindo a necessidade de utilização de antibióticos.

Menor risco de formação de hérnia incisional, já que com pequenas incisões há um menor dano à parede abdominal.

Menor perda sanguínea, com menor possibilidade de transfusões.

Menor risco de formação de aderências entre órgãos intra-abdominais.

Menor risco de tromboembolia (formação de coágulos na corrente sanguínea que migram para o pulmão, podendo ser fatal), já que a recuperação é mais rápida e o paciente volta a deambular precocemente.

Vantagem Estética, com cicatrizes mínimas ou imperceptíveis.

Retirada da Vesícula Biliar se torna cada vez mais comum no Brasil

A explicação é que o brasileiro tem engordado demais, e muita gente faz dietas radicais para perder peso. O resultado é que o corpo não consegue se adaptar a esses exageros.

O número de cirurgias para a retirada da vesícula biliar vem crescendo no Brasil em ritmo acelerado. A cada ano, são duas mil a mais.

A vesícula começa a produzir pedras quando acontece um desequilíbrio entre as substâncias que existem dentro dela. Esse desequilíbrio se dá em várias situações: quando a pessoa engorda demais, emagrece demais ou com o envelhecimento. E ainda: as mulheres têm mais chances do que os homens de formar cálculos na vesícula, por causa das variações dos hormônios.

“Pedras na vesícula é um problema que vem desde a Antiguidade. Agora, certamente a obesidade, com o aumento progressivo que está havendo, é um dos fatores de risco para o aumento das pedras na vesícula”, explica o cirurgião do aparelho digestivo Ivan Cecconello, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A função da vesícula biliar é auxiliar a digestão de alimentos gordurosos. A bile é produzida no fígado e armazenada na vesícula. Quando o alimento chega ao estômago, a vesícula contrai e expulsa mais bile para o duodeno, no começo do intestino delgado.


O cirurgião Ivan Cecconello diz que a grande maioria dos obesos que fazem a cirurgia de redução do estômago tem pedras na vesícula. Os que não tem, quando emagrecem, acabam desenvolvendo cálculos. ”Existe um grande grupo de pacientes que nem sabem que tem pedras na vesícula, porque não tem sintomas”, afirma o médico.

O sintoma da vesícula doente, muitas vezes, é apenas uma azia. “A azia me matava à noite. Eu não podia comer pão no fim da tarde, tomar café, massa de qualidade e nem doce. Tudo me dava uma queimação. Isso era direto”, conta o comerciante Pedro Augusto da Nóbrega.

Seu Pedro retirou a vesícula quase seis anos atrás. Desde então, continua a comer o que sempre comeu, sem sentir nenhum mal estar. “A gente come o que tem e o que gosta. Gosto de mocotó e rabada”, revela o comerciante.

“Seria interessante se nós pudéssemos dizer que tipo de alimentos preveniria a formação de cálculos. Não está determinado um alimento em si ou os alimentos que previnem. Eu diria que o interessante hoje é não ganhar peso”, ressalta o cirurgião do aparelho digestivo Ivan Cecconello, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Grande parte dos pacientes que têm pedras na vesícula não apresenta sintomas e acaba descobrindo o problema em uma consulta de rotina. Sintomas como azia, dor no lado direito do abdômen e enjoo frequente são indicativos da doença. O diagnóstico definitivo é feito com uma ultrassonografia.
Fonte: g1.globo.com